09 março 2010

Ricardo Semler - Precisamos de Gerentes?

Vou levantar a lebre aqui :

Já ouvi várias pessoas comentando contra o auto-gerenciamento. Até mesmo durante uma palestra no Scrum Gathering Brasil falando sobre como o PMI está próximo do Scrum, Ricardo Vargas ficou de calças curtas após uma pergunta simples do Bernabó: estaria o PMI preparado para um mundo sem gerentes? Foi muito interessante ver o palestrante se contradizer completamente ao afirmar que não acreditava em auto gerenciamento, deixando claro que as pessoas precisam ser "observadas", "cobradas" e vigiadas... vai entender neh.

Você já ouviu falar no outro Ricardo, o Semler? Pois deveria! Impressionante como o cara é conhecido fora do Brasil! Bem, pra encurtar a história, ele "gerencia" uma empresa com projetos que chegam a 3 bilhões de dólares. Coloquei entre aspas o termo gerencia pois inclusive no video abaixo ele comenta que não toma decisões na própria empresa, pois quase tudo é decidido pelas equipes (que são auto gerenciadas e formadas de forma ad hoc)... difícil de acreditar? Vou colocar a tradução de alguns trechos do video:

Nós mandamos nossos filhos para qualquer lugar do mundo para morrer pela Democracia... Mas eu nunca vi um ambiente de trabalho democrático. Estão ela é muito importante para nossa vida, menos para o lugar em que passamos 60% de nosso tempo. Deve haver algo de errado nisso tudo.

Como é verdadeira essa afirmaçao! É como se toda a nossa evolução como seres humanos(e por que não, sociedades), fosse jogada fora todas as vezes que batemos ponto...

Todas as nossas reuniões são volutárias. Por que se começar a ficar chato, vá embora... Se não sobrar ninguém, será mesmo que precisamos dela?

Seria esta uma solução à desculpa de vários gerentes? "Não consigo mais trabalhar, passo o dia em reuniões!"... pense nisso!

O processo típico para contratações e seleções em empresas é basicamente um processo de paquera na internet. Você diz que sua empresa é o Brad Pitt e ela diz que é a Angelina Jolie. Vocês se encontram em um bar... ficam juntos em dois rápidos encontram e decidem se casar esperando que dê certo...

[Ao invés disso], nós pegamos os candidatos qualificados, que se encaixam na vaga, e pedimos a eles a virem juntos. Então encontramos qualquer um que queira estar envolvido entrevistando estas pessoas. Isto pode levar horas. Então os entrevistadores anotam as duas pessoas que eles gostariam que ficassem. Os dois que pontuarem melhor voltam para passar um dia inteiro por aqui e conversar com qualquer um que queiram... O resultado é um turnover de menos de 2% ao ano.

Fico feliz em saber que várias empresas legais no Brasil já fazem isso! Claro que turnover não é a principal preocupação de várias empresas (afinal, pessoas são substituíveis, não é mesmo?!)... mas lembre-se você também de que Empresas também são substituíveis! Ainda mais na área de software...

Sem mais enrolações... ai vai o video (sim, ja deve ser conhecido de várias pessoas!):



Fonte: MIT World

08 março 2010

Anti patterns para Gerentes

anti pattern gerencimanto
Tenho lido vários posts sobre as "boas práticas" para gerentes de software (O @akitaonrails vive escrevendo sobre isso [1, 2], já li um livro inteiro a respeito e até mesmo na China se fala disso!).

Mas antes de falar sobre boas práticas, gostaria de ressaltar alguns anti padrões que podemos observar (alguns já vivenciei... outros tenho a sorte de não ter visto ainda):

O Gerente desmotivador


Conhece profundamente a arte de desconsiderar qualquer idéia que seja diferente de sua própria percepção do mundo. Pronto para contradizer qualquer sugestão, assumindo normalmente o papel de "Desculpator Master" (sempre existe algum problema para ser resolvido em que a sugestão não se aplica). Normalmente este anti padrão vem acompanhado de outros, principalmente o "Muita boca e pouco ouvido". As implicações de tal comportamento estão intimamente ligadas ao descaso dos funcionários e à falta de credibilidade dos gerente junto ao grupo.

O Gerente muita boca e pouco ouvido


Muito influenciado pelo background do gerente que, inconscientemente ou não, acredita que já sabe todas as soluções para os problemas da empresa, e por isso deve estar numa posição superior aos demais. O comportamento padrão é: falar muito, normalmente repetindo-se a todo instante, como se estivesse falando para si mesmo um discurso, justificando o próprio raciocínio, distante dos demais. Dificilmente aborda funcionários para um conversa franca, pedindo opinião e sugestões sobre problemas. Os funcionários tendem a evitar a conversa, já que não existe nenhuma abertura para expor idéias e opiniões.
gerente alpinista control freak

O Gerente Alpinista


A escória dos gerentes, alcançando a glória através do resultado dos outros e assumindo todos os louros para sí em detrimento daqueles que realmente apresentam resultados. O gerente possui uma eloquência envolvente e por vários momentos lhe fará duvidar de que esteja agindo de má fé. Atua intimamente ligado às esferas superiores de gerência, apresentando idéias roubadas de terceiros e atribuindo a si mesmo a "capacidade" e "liderança" para alcançar resultados. Tem vida curta nesta posição pois facilmente arrumará inimigos, e é por isso que está sempre disposto a novos desafios, novos projetos. É comum também que este gerente não assuma responsabilidade quando erros ocorrem.

O Gerente Control Freak


Este é um padrão de trabalho para profissionais que não confiam nas pessoas com quem trabalhar para realizar uma tarefa. Estão sempre à frente de todas as decisões, inclusive as mais simples, pois acreditam que os demais não são capazes de fazer nada sem que estejam supervisionados. O comportamento padrão é o autoritarismo. Funcionários podem descrever sentimentos de repulsa ou indiferença e já que não lhes é dado poder de decisão,, erros são comuns devido à falta de zelo pelas próprias atividades.

O Gerente detalhista


Gerentes nesta categoria pensam que todos os detalhes dos resultados apresentados por seus subordinados devem ser escrutinados e dissecados dos pés à cabeça. Sentindo que sua autoridade será menosprezada se as pessoas não apresentarem todos os problemas nos mínimos detalhes (até as coisas mais estúpidas). Entre os comportamentos comuns existe sempre um "checklist sobre como resolver o problema" seguido de pouca preocupação com os resultados.


Sugestões sobre mais anti padrões?

07 março 2010

Você tem orgulho do seu Código?

No mesmo clima do último post, me esqueci de disponibilizar os slides da minha última palestra no Brasil, feita em Floripa no evento Carvana GuJavaSC 09. Que foi super divertido, com uma demonstração do uso de asterisk+java pelo Ricardo Limonta.

Alguns disseram que este foi um momento completamente pessoal meu (epifânico, catárzico, auto revelador), com a minha visão sobre trabalho, orgulho e melhoria contínua. Mas a intenção principal estava em descrever literalmente o significado de ter (ou não) orgulho do próprio código, e como utilizar a busca pelo aperfeiçoamento profissional para mudar o próprio indivíduo.

Gostaria de apresentar novamente estes slides (talvez um screencast...)



De volta ao Trabalho!


Salve!

Vários meses desde o meu último post, resolvi voltar a escrever neste blog (incentivado pelo Ismael)... Para aqueles que não sabem, já não moro mais em Florianópolis (local onde estive nos últimos 10 anos trabalhando, bebendo e escrevendo).

Desde Fevereiro estou morando na Irlanda, terra dos Leprechauns, pure pot still whiskey e da cerveja Guinness - que por aqui é deliciosa, e não tem gosto de café requentado como no Brasil. So far, so good - a cidade de Dublin (minha atual moradia) é super ativa e a cerveja é sempre boa! No momento estou buscando oportunidades de trabalho (e com boas perspectivas).


Minha principal motivação motiva de me mudar para Dublin foi a oportunidade de ter uma experiência fora do Brasil trabalhando como desenvolvedor de software (já que estava completamente frustrado com minhas experiências de trabalho no sul do Brasil). Como não sou uma pessoa de desistir facilmente das próprias crenças e valores, deixei meu antigo trabalho na Audaces e vim para Dublin fazer uma especialização em Gestão e Marketing na Abbey College

E aqui estamos! Pretendo escrever um pouco mais sobre o que venho estudando nos últimos tempos:

Precisamos, ou não, de gerenciamento? Estamos prontos para o auto gerenciamento?

Começando com a descrição das raízes do gerenciamento, até modelos mais maduros de gestão (que o @alegomes consagrou chamando de Manifesto 2.0). Para os que me conhecem do movimento Ágil brasileiro, não se assustem... Agile é apenas o começo.

Espero que gostem...